Pesquisa: o que motiva pessoas a tomar riscos extremos?
RISK TAKERS
A morte de Jane Wicker, que fazia wing walk e caiu do avião durante um
show aéreo na semana passada, fez novamente aparecer a pergunta, o que motiva
pessoas a tomar riscos extremos. Há muito tempo se acredita que pessoas que se
envolvem em atividades de risco, como skydiving, back-country skiing, etc,
buscam sensações, arriscando suas vidas pela descarga de adrenalina em seus
corpos.
Mas um novo estudo, publicado no “Journal of Personality and Social
Psychology”, descobriu que essas pessoas não são todas do mesmo tipo. Alguns
participam de atividades de risco como uma maneira de controlar suas emoções e
suas vidas.
Os pesquisadores da Universidade Bangor, na Inglaterra, não acreditam
que o estereótipo do “buscador de adrenalina” se aplica a todas as pessoas
ditas “radicais”, particularmente aqueles que se envolvem em atividades
prolongadas e desafiantes, como o montanhismo.
“Quando a pessoa caminha para a base de uma alta montanha e entra na
zona de risco, ela não está atrás de adrenalina”, disse Tim Woodman, chefe da
School of Sports Health & Exrecise Sciences at Bangor, e autor do estudo.
“Normalmente é um desafio pessoal. Nós queremos entender o que motiva esse
desafio pessoal.”
Escalada de montanha é longa e árdua, e não necessariamente causa a
sensação de adrenalina. De fato, pesquisas anteriores mostraram que
montanhistas se engajam em risco extremo para ajudar no domínio de suas
emoções. Estudos mostram que montanhistas tendem a falhar em relacionamentos
afetivos, tem dificuldade para descrever suas emoções e tem menos necessidade
de intimidade que outras pessoas. Eles também tendem a sentir uma falta de
controle na sua vida rotineira.
Os autores do estudo teorizam que os “risk-takers” buscam situações de
“caos, estres e perigo” para conseguir o controle de suas emoções e domínio de
suas vidas. Uma atividade de alto risco, eles escreveram, “desafia
psicologicamente os limites do self de uma maneira que não se pode encontrar
mesmo na mais desafiante situação da vida rotineira”.
O estudo incluiu skydivers, que tendem a pontuar mais na questão da
busca de sensações (adrenalina), diferente de montanhistas. Incluiu também um
grupo de controle, formado por atletas de atividades de baixo risco. Todos os
participantes preencheram questionários psicológicos que focavam na busca de
sensações, na habilidade de moderar emoções, e “atuação”, que significa ter uma
sensação de controle da própria vida.
Skydivers reportaram uma maior necessidade por sensações fortes que
montanhistas e o grupo de controle, demonstrando que nem todos os “risk-takers”
são motivados pela busca da adrenalina. Ambos montanhistas e skydivers
declararam ter grande controle de emoções e “atuação” durante a atividade de
risco, diferente do grupo de controle. Isto sugere que atividades de risco
exige de seus praticantes o controle de suas emoções como o medo, e deles
próprios no controle de seu destino.
Entretanto, o que mais surpreendeu os pesquisadores, foi que as pessoas
que se envolvem em atividades de risco acreditam que a vida deve ser preenchida
com essas intensas experiências e sentimentos.
“Basicamente pessoas que se envolvem nas mais árduas atividades de alto
risco, como montanhismo, o fazem porque tem uma expectativa muito alta sobre o
que a vida deve oferecer, ou o que a vida deve ser”, disse Woodman.
O estudo também mostrou que essa sensação de controle sobre suas vidas e
emoções se aplica sobre a vida rotineira dessas pessoas quando elas voltam de
suas atividades.
“Montanhistas querem empurrar o self ao seu limite em termos de
experienciar emoções, e então administrar essa emoção num ambiente extremo”,
disse Woodman. “Nós todos temos isso algum grau, dentro de nós; depende de cada
um de nós decidir o que constitui nosso Monte Everest e se comprometer
completamente com esse desafio”, disse ele.
“Todo desafio que tenha um significado pessoal tem um elemento de risco,
portanto risco não é uma palavra ruim. Risco é necessário para qualquer
objetivo significativo – para todas as pessoas”, complementa.
Texto de Laurie Tarkan, jornalista que escreve para o New York Times,
entre outras revistas e websites.



gostei da análise do comportamento/emoção...e o texto é ótimo
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